Ibovespa em 14/11/25: alta com Petrobras e balanços (Nubank, Dasa) vs. cautela do Fed. Selic cai para 12,5%. Risco e oportunidade.
A Montanha-Russa de Novembro: O Ibovespa Sob a Lupa da Cautela Global e dos Balanços Controversos
Por: Carlos Santos
O mercado financeiro brasileiro, muitas vezes, assemelha-se a um complexo teatro de expectativas. Em um dia, somos levados pelo otimismo de ganhos expressivos e, no outro, somos confrontados pela dura realidade da cautela global. É neste cenário de incertezas e picos de euforia, em que a busca por retornos se choca com a prudência fiscal, que eu, Carlos Santos, dedico esta análise detalhada sobre os movimentos recentes da Bolsa de Valores de São Paulo.
A sessão desta sexta-feira, 14 de novembro de 2025, foi um reflexo fiel dessa dualidade. O principal índice acionário, o Ibovespa, lutou para manter um ritmo de alta, impulsionado por gigantes do setor de commodities e resultados corporativos pontuais, enquanto lidava com a sombra da política monetária norte-americana. O coração do investimento latejando entre a euforia doméstica e o freio externo.
Em um acompanhamento minucioso, o site Money Times, referência essencial na cobertura em tempo real do mercado, forneceu o mapa para decifrarmos as forças em jogo. O mercado vive uma encruzilhada de balanços do terceiro trimestre (3T25) e perspectivas macroeconômicas revisadas, exigindo do investidor não apenas atenção, mas, sobretudo, discernimento e análise crítica.
A Dinâmica dos Ganhos em um Cenário de Alto Risco
🔍 Zoom na realidade
A realidade do mercado acionário brasileiro neste período de novembro é marcada por uma profunda seletividade e por eventos que desafiam a lógica fundamentalista. O Ibovespa se moveu em território positivo, uma reação que poderia sugerir um clima de euforia generalizada, mas que, sob uma análise mais aprofundada, revela a concentração de ganhos em papéis específicos, especialmente Petrobras. Enquanto o índice consolidava sua recuperação, os balanços do terceiro trimestre de 2025 (3T25) pintavam um quadro de extremos. De um lado, tivemos empresas emergindo de crises com força surpreendente; de outro, companhias tradicionais enfrentando reveses significativos.
O caso da Oi (OIBR3), com a suspensão de seu decreto de falência, exemplifica a alta volatilidade e o forte apelo especulativo que ainda movem partes consideráveis do nosso mercado. A oscilação das ações da companhia em mais de vinte por cento em poucas horas não se baseia em fundamentos operacionais robustos de longo prazo, mas sim em decisões jurídicas que alteram abruptamente o risco. Este é um lembrete crucial para o investidor: a euforia imediata pode esconder riscos estruturais. Paralelamente, a Dasa (DASA3) demonstrou a capacidade de gestão em reverter um cenário de prejuízo, alcançando um lucro líquido próximo a 100 milhões de reais. Tais eventos, embora isolados, atuam como catalisadores para o índice, mascarando as dificuldades enfrentadas por setores cruciais. A contraparte dessa realidade volátil está na cautela internacional, onde o Federal Reserve (Fed) sinaliza uma política de juros que continua a gerar incerteza, mantendo Wall Street sob pressão e, por extensão, limitando o apetite ao risco em economias emergentes como o Brasil. A verdade nua e crua é que o mercado exige, mais do que nunca, uma visão de helicóptero, capaz de enxergar o índice subindo enquanto fundamentos setoriais sofrem correções severas. A ausência de um corte iminente nos juros nos Estados Unidos, agravada por um recente "apagão" de dados devido ao shutdown do governo, mantém a pressão sobre o câmbio e a liquidez, tornando a escalada do Ibovespa um feito notável, mas fragilmente sustentado. O investidor deve ponderar se a sustentabilidade do índice reside no desempenho macroeconômico consolidado ou na força de poucos ativos de grande peso.
📊 Panorama em números
A análise fria dos dados revela a complexidade do dia 14 de novembro de 2025. O Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, operava em alta de 0,71%, alcançando a marca de 158.136,34 pontos por volta das 15h30. Essa alta foi amplamente sustentada por papéis de peso, como Petrobras, que registrava valorização de 1,41%. No campo negativo, contudo, a Vale (VALE3) recuava 0,56%, demonstrando a dispersão de performance mesmo entre as commodities.
No que tange ao câmbio, o real tentava se manter estável, com o dólar cotado a 5,30 reais, apresentando uma leve alta de 0,10%. O euro, por sua vez, seguia a tendência de leve valorização, negociado a 6,17 reais. Esses patamares cambiais refletem a permanente tensão externa e a demanda por segurança, mesmo diante de um índice acionário positivo.
O balanço do terceiro trimestre (3T25) foi a principal fonte de grandes oscilações. No setor de saúde, a Dasa (DASA3) viu suas ações dispararem em mais de 20% após a divulgação de um lucro líquido próximo a 100 milhões de reais, revertendo o prejuízo anterior. Em contraste, a Hapvida (HAPV3) teve uma reação negativa tão forte que o Bradesco BBI reduziu seu preço-alvo em quase 50%. No setor de aviação, a Azul (AZUL4) enfrentou uma queda superior a 5% após reportar um prejuízo líquido ajustado de 1,5 bilhão de reais, um número que coloca em xeque sua recuperação judicial.
Fora do índice, o desempenho do Nubank (NU) chamou a atenção, registrando o maior lucro de sua história, 783 milhões de dólares, com a rentabilidade atingindo um recorde de 31%. No acumulado do ano de 2025, o papel já subiu mais de 50%.
Macroeconomicamente, os números trouxeram um alívio. O Santander revisou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025, baixando-a de 4,7% para 4,4%. Esta estimativa coloca a inflação dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo Banco Central. A instituição também ajustou a previsão para a taxa Selic terminal, de 13% para 12,5%, sinalizando um ambiente de juros menos restritivo no futuro próximo.
Por fim, o mercado de criptoativos registrou forte correção, com as ações das empresas de "Bitcoin Treasuries" (companhias com grande volume de bitcoin em caixa) caindo mais de 30% nos últimos 30 dias, uma desvalorização que superou a do próprio Bitcoin (BTC), que recuou cerca de 13,6% no mesmo período.
| Indicador | Status (15h30, 14/11/2025) | Variação | Fonte/Contexto |
| Ibovespa | 158.136,34 pontos | +0,71% | Alta puxada por Petrobras e balanços positivos. |
| Dólar | 5,30 reais | +0,10% | Pressão cambial mantida pela incerteza do Fed. |
| IPCA 2025 | 4,4% (Revisado) | -0,3 p.p. | Revisão do Santander, dentro da meta do BC. |
| Prejuízo Azul (3T25) | 1,5 bilhão de reais | Queda >5% | Balanço ruim pressiona ações fora do Ibovespa. |
| Lucro Nubank (3T25) | 783 milhões de dólares | Recorde | Alta de 39% a/a, rentabilidade de 31%. |
💬 O que dizem por aí
O discurso predominante entre analistas e estrategistas de mercado nesta sexta-feira é a exaltação da seletividade e a atenção redobrada aos sinais vindos do exterior. Não é apenas o que as empresas reportam, mas como os grandes bancos de investimento e as autoridades monetárias interpretam esses números.
No Brasil, o posicionamento do Santander, ao rever suas projeções de inflação para 2025 de 4,7% para 4,4%, foi um dos principais pontos de discussão. A diretora de macroeconomia e sua equipe afirmaram que a apreciação cambial e a acomodação dos preços das commodities atuam como fatores de curto prazo para a desinflação, sinalizando que o IPCA deve fechar o ano dentro do intervalo de tolerância da meta. Essa notícia, ao reduzir a expectativa da Selic terminal para 12,5%, naturalmente gera um otimismo cauteloso, pois juros mais baixos no futuro tendem a beneficiar o crédito e o crescimento corporativo. A visão é de que o Brasil, embora não isolado dos choques globais, está conseguindo ancorar as expectativas inflacionárias, um feito fundamental para a estabilidade de longo prazo.
Nos relatórios corporativos, o Bank of America (BofA) reforçou a tese de que a gestão de risco faz toda a diferença. Ao elevar o preço-alvo da 3tentos (TTEN3) de 18,50 reais para 20 reais, o BofA destacou que a estratégia de hedge (proteção) da companhia foi crucial para mitigar o impacto dos preços fracos do farelo de soja, salvando o resultado do 3T25. Isso consolida o entendimento de que em setores voláteis como o agronegócio, a eficiência operacional deve ser aliada a uma gestão financeira sofisticada.
Contudo, a voz da cautela vem, majoritariamente, dos Estados Unidos. Jeffrey Schmid, presidente do Federal Reserve de Kansas City, manteve um tom duro, reiterando que a inflação ainda está “muito quente”. Suas preocupações não se limitam aos efeitos pontuais, mas se estendem à dinâmica estrutural do mercado de trabalho. Schmid, um dos dissidentes na última decisão do Fed de cortar os juros em outubro, sinalizou que pode discordar novamente em dezembro, caso os formuladores de política monetária insistam na redução. Essa postura é vista por analistas como um balde de água fria nas expectativas de cortes rápidos de juros, o que impacta diretamente os mercados emergentes, incluindo o Ibovespa, que depende da liquidez global.
Há, portanto, um consenso: o Brasil está fazendo o seu dever de casa macroeconômico, mas a sombra do Fed e a alta incerteza sobre a taxa de juros americana continuam sendo o principal fator limitador para um rally mais consistente. A opinião pública se divide entre a euforia dos balanços positivos pontuais (Nubank, Dasa) e a sensação de que o voo do índice pode ser interrompido por um movimento brusco em Washington. Em resumo, os analistas clamam por stock picking (seleção de ações) apurado e gestão de risco ativa, antecipando-se aos ventos que sopram do Atlântico Norte.
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| Acompanhe o Ibovespa e os mercados em Tempo Real. (Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli) |
🧭 Caminhos possíveis
Diante do cenário de Ibovespa em alta seletiva e incerteza global, os investidores enfrentam a necessidade de reajustar suas bússolas estratégicas. Os caminhos possíveis para a alocação de capital se desdobram em duas frentes principais: a busca por valor (ativos com múltiplos descontados ou forte geração de caixa) e a manutenção de uma defesa robusta contra a volatilidade cambial e de juros.
Um dos caminhos mais claros é a realocação de carteira de ativos de crescimento (o chamado growth) para ativos de valor (value). As empresas que apresentaram resultados fracos no 3T25, especialmente em setores sensíveis ao crédito e à inflação, como Azul (AZUL4) e Yduqs (YDUQ3), sofrem desvalorizações expressivas. Em contraste, gigantes como Petrobras (PETR4) e Itaú (ITUB4), com fluxos de caixa estáveis e resiliência demonstrada, tornam-se âncoras de portfólio. O investidor deve considerar se a correção nestes papéis de crescimento é uma oportunidade ou um risco de longo prazo, ponderando a capacidade de recuperação de margens em um ambiente de juros mais altos.
A segunda via estratégica reside na utilização de hedge cambial e na diversificação geográfica. Com a manutenção da taxa de juros americana em patamares elevados pelo Fed, a pressão sobre o real tende a persistir. Embora a projeção do Santander para o IPCA e a Selic seja positiva, a incerteza global justifica a exposição a ativos denominados em moedas fortes. A alta histórica da exportação do agronegócio brasileiro, por exemplo, injetando 15,49 bilhões de dólares no país em outubro, demonstra a importância de ter ativos ligados a setores que geram receita em moeda estrangeira, mitigando o risco local.
Adicionalmente, o alerta no mercado de criptoativos, com as "Bitcoin Treasuries" caindo mais de 30%, serve como um forte lembrete sobre o risco de concentração em ativos de alta volatilidade. A mensagem é clara: a diversificação, hoje, não é apenas entre setores, mas entre classes de risco. Para o investidor mais conservador, a revisão da Selic terminal para 12,5% torna a renda fixa de prazos mais curtos, com taxas atrativas e baixo risco de duration, um caminho ainda muito seguro. Por fim, o investidor deve monitorar a liquidez. A volta da Oi (OIBR3) à negociação, embora altamente especulativa, prova que o mercado está sensível a eventos de liquidez e reestruturação, abrindo um caminho de oportunidades pontuais para aqueles dispostos a assumir risco elevado e bem fundamentado.
🧠 Para pensar…
A sessão de 14 de novembro de 2025 nos oferece um prato cheio para a reflexão crítica. A principal pergunta que ecoa é: por que o mercado brasileiro, mesmo com projeções internas de inflação (IPCA) mais favoráveis, continua tão refém dos movimentos e da retórica de Washington? A resposta reside na interconexão do sistema financeiro global. Enquanto o Fed expressa preocupação com a inflação e adia a possibilidade de cortes de juros, o custo de capital para o mundo inteiro se mantém alto. Isso significa que, independentemente da nossa melhora macroeconômica, o apetite por risco em economias emergentes é reprimido, e o dólar se fortalece, atuando como um freio invisível no crescimento de ativos brasileiros.
Outro ponto de análise é a dicotomia na performance corporativa. De um lado, temos o Nubank, um player digital, atingindo o maior lucro de sua história, com uma rentabilidade de 31%. Este sucesso não é apenas um feito financeiro, mas um indicativo de que a eficiência tecnológica e a escala massiva podem superar a alta concorrência e o ciclo econômico. O Nubank representa o futuro da alta rentabilidade, adaptada à digitalização do sistema financeiro.
De outro lado, temos as empresas que sofrem com prejuízos bilionários (Azul) ou com a redução drástica de seus alvos de preço (Hapvida). Para pensar, devemos ir além do número trimestral. A queda da Azul, com prejuízo de 1,5 bilhão de reais, levanta a discussão sobre a sustentabilidade das companhias em setores de alto consumo de capital, como o aéreo, em um cenário de combustíveis caros e dólar alto.
A lição fundamental desta reflexão é que o mercado está, na verdade, precificando o risco de 2026 e 2027. O investidor que vende Azul ou Hapvida hoje não está apenas reagindo ao 3T25, mas está apostando que a recuperação destas empresas será mais lenta do que o esperado, penalizadas por uma taxa de juros que, apesar da queda projetada, ainda estará em patamares restritivos. Inversamente, quem compra Petrobras ou Itaú está apostando na resiliência dessas empresas aos choques de curto prazo e na capacidade de distribuir valor aos acionistas, mesmo em meio à instabilidade. A verdadeira inteligência financeira é distinguir o ruído de curto prazo, como a volatilidade da Oi, do sinal de longo prazo, representado pela eficiência recorde do Nubank.
📚 Ponto de partida
Para o investidor que está apenas começando ou buscando reorientar sua estratégia após esta intensa semana de balanços e notícias macroeconômicas, o ponto de partida deve ser a fundação do conhecimento e a gestão do risco.
O primeiro passo é entender que o balanço do terceiro trimestre (3T25) é mais do que um relatório contábil; é um indicador da saúde futura da companhia. O investidor deve focar em duas métricas principais: a geração de caixa e o nível de endividamento. Empresas como Dasa, que demonstraram capacidade de reverter o prejuízo, mostram uma guinada operacional promissora. Por outro lado, o alto endividamento em companhias como Azul, agravado por um prejuízo líquido de 1,5 bilhão de reais, sugere que a recuperação será um processo longo e doloroso, exigindo paciência e tolerância ao risco.
O segundo ponto de partida é o macroambiente interno. A revisão do IPCA para 4,4% pelo Santander e a expectativa de uma Selic terminal em 12,5% são sinais importantes de que o Banco Central brasileiro está no caminho certo para controlar a inflação. Isso pavimenta o caminho para um ciclo de crédito mais favorável no futuro, beneficiando principalmente os setores de infraestrutura, consumo e utilities (como Cemig, apesar de seu resultado "difícil" no 3T25, ela permanece uma utility essencial).
Contudo, a gestão de risco deve ser o pilar desta jornada. A forte queda das ações das "Bitcoin Treasuries", que superou a desvalorização do Bitcoin, serve como um poderoso alerta: a alta concentração em ativos de risco amplifica as perdas em momentos de correção. O ponto de partida para o novo investidor não é buscar o ativo que subiu 20% no dia (como Oi), mas sim construir uma carteira diversificada, com pesos adequados em renda fixa (aproveitando o patamar ainda alto da Selic), commodities (Petrobras, Vale) e utilities resilientes. O foco deve ser na preservação do capital, usando a volatilidade do mercado como oportunidade para comprar bons ativos a preços descontados, e não como convite à especulação de alto risco. A disciplina na reavaliação dos fundamentos, baseada em fontes confiáveis como o Money Times, é o verdadeiro ponto de partida para o sucesso no longo prazo.
📦 Box informativo 📚 Você sabia?
O Enigma do "Apagão de Dados" e a Cautela do Federal Reserve (Fed)
Você sabia que uma paralisação do governo dos Estados Unidos, conhecida como shutdown, pode ter um impacto direto na sua carteira de investimentos no Brasil? O episódio mais recente de shutdown, que durou 43 dias e encerrou-se na última quarta-feira, gerou um efeito dominó que culminou no que foi chamado de “apagão de dados”.
O que é o shutdown?
O shutdown ocorre quando o Congresso dos EUA não aprova o orçamento ou as dotações de recursos para as agências federais. Nesses períodos, serviços não essenciais são paralisados e milhares de funcionários são licenciados. Durante esse período, agências cruciais para a economia, como o Departamento de Comércio e o Departamento do Trabalho, interrompem a coleta e a divulgação de dados econômicos essenciais, como números de emprego, inflação e Produto Interno Bruto (PIB).
O Impacto no Fed e no Ibovespa:
O Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, baseia suas decisões sobre a taxa de juros na análise de dados concretos para avaliar a saúde da economia e o nível de inflação. Com o “apagão de dados” gerado pelo shutdown, o Fed se vê com uma lacuna crítica de informações.
É exatamente por isso que dirigentes como Jeffrey Schmid, do Fed de Kansas City, expressaram grande cautela sobre a possibilidade de novos cortes de juros. Sem dados robustos e atualizados, a política monetária é conduzida com maior grau de incerteza. A inflação, na visão de Schmid, ainda está “muito quente”, e a falta de dados só reforça a postura conservadora de manter os juros altos.
A Conexão com o Brasil:
Quando o Fed mantém os juros altos, dois efeitos imediatos impactam o Brasil:
Valorização do Dólar: Juros mais altos nos EUA tornam os títulos americanos mais atrativos, drenando capital de mercados emergentes e pressionando o real.
Risco Global: A incerteza do Fed aumenta a aversão ao risco globalmente, o que afeta o fluxo de investimento estrangeiro para o Ibovespa.
A cautela do Fed, alimentada pela falta de dados pós-shutdown, é, portanto, um fator determinante na volatilidade do câmbio e na seletividade da Bolsa brasileira, mesmo que o IPCA esteja sob controle por aqui. O investidor deve monitorar a retomada da divulgação de dados americanos, pois ela será um fator crucial para destravar ou manter a política restritiva do Fed nas próximas reuniões.
🗺️ Daqui pra onde?
O horizonte de investimento, após a intensa temporada de balanços do 3T25 e os ajustes nas projeções macroeconômicas, aponta para um período de transição marcada pela convergência entre a força doméstica e a prudência externa. A direção futura do mercado brasileiro será definida pela resolução de três vetores principais: a próxima decisão do Federal Reserve, o desempenho do agronegócio e a sustentação das projeções inflacionárias do Santander.
Olhando para o exterior, o destino mais imediato é a reunião de política monetária do Fed em dezembro. A retórica de Schmid ("inflação muito quente") e o receio de um novo "apagão de dados" sugerem que o caminho para cortes de juros será, na melhor das hipóteses, lento e gradual. Para o Brasil, isso implica que a taxa de câmbio (dólar a 5,30 reais) continuará sob pressão. A perspectiva de longo prazo, contudo, é que o Fed não poderá sustentar juros altos indefinidamente se a inflação ceder. A transição, portanto, é aguardar a clareza do Fed para que o capital estrangeiro volte a fluir com mais convicção para ativos de risco.
Internamente, o futuro é mais promissor, especialmente no que tange ao agronegócio. A exportação recorde de outubro, que totalizou 15,49 bilhões de dólares, impulsionada por carne bovina e açúcar, sinaliza que este setor continuará sendo uma âncora de geração de riqueza e de saldo comercial positivo. O país se consolida como um player global indispensável de commodities, o que beneficia as empresas do setor, como 3tentos, que viu seu preço-alvo elevado pelo BofA. A tese é de que a resiliência do agronegócio servirá como um amortecedor contra choques externos.
O fator mais otimista reside na revisão do IPCA para 4,4% e da Selic terminal para 12,5%. A partir daqui, as empresas devem começar a precificar a redução do custo de capital. Isso é vital para setores de alto endividamento e para o investimento em infraestrutura. Espera-se que a alocação de capital migre gradativamente da renda fixa para o risco, favorecendo a B3 em 2026. A tarefa do investidor é posicionar-se em empresas que, apesar de terem sofrido no 3T25 (como IRB ou Cemig), têm fundamentos de longo prazo e se beneficiarão da queda estrutural da taxa Selic. O caminho é de otimismo moderado, mas ancorado na força do agronegócio e no controle inflacionário doméstico.
🌐 Tá na rede, tá oline
"O povo posta, a gente pensa. Tá na rede, tá oline!"
A internet se tornou um barômetro não oficial da emoção do mercado. Na sessão de 14 de novembro, a rede fervilhou com narrativas extremas, refletindo a volatilidade dos ativos. Se o mercado formal se concentra em balanços de 1,5 bilhão de reais em prejuízo (Azul) ou 783 milhões de dólares em lucro (Nubank), a comunidade online se apega aos movimentos mais dramáticos.
A notícia da Oi (OIBR3) voltando a negociar na B3, saltando mais de 20% após a suspensão da falência, dominou as discussões. A hashtag da empresa chegou ao topo das tendências. O que a gente pensa, observando a rede, é que a alta volatilidade da Oi é mais um reflexo da busca por dinheiro rápido do que de uma análise de crédito profunda. O investidor de varejo se concentra no "salto", ignorando o risco de longo prazo e a natureza puramente jurídica e não operacional do evento. A rede amplifica a euforia, criando um ciclo de FOMO (fear of missing out), onde o senso de urgência substitui a racionalidade.
Outra tendência forte é o pessimismo em relação aos criptoativos. O fato de as "Bitcoin Treasuries" terem despencado mais de 30% gerou memes e debates acalorados sobre o futuro do setor. A percepção online é de pânico, uma reação exagerada ao ciclo normal de correções. A gente pensa: o povo posta o desespero da queda, mas raramente posta a disciplina de manter a posição em ativos de longo prazo.
Em contraste, o lucro recorde do Nubank gerou uma onda de positividade, celebrando o sucesso da fintech. Essa narrativa online é importante porque valida o investimento em tecnologia e eficiência, criando uma contrapartida à visão mais tradicional do mercado.
A rede social é, portanto, um termômetro da emoção: amplifica a especulação da Oi, dramatiza a correção do Bitcoin e celebra a performance tecnológica do Nubank. A tarefa do investidor é usar o online para identificar o sentimento, mas voltar ao offline (dados e análises) para tomar a decisão.
🔗 Âncora do conhecimento
Navegar por este cenário financeiro exige mais do que apenas acompanhar as notícias diárias; exige uma atualização constante sobre as inovações que moldam o futuro do investimento.
Para complementar sua jornada de aprendizado sobre as novas fronteiras de rentabilidade e risco, especialmente no dinâmico universo dos ativos digitais,
Reflexão final
O dia 14 de novembro de 2025 ficará marcado não pela alta de 0,71% do Ibovespa, mas pela clareza com que o mercado expôs suas vulnerabilidades e suas forças. A fragilidade reside na persistente dependência da política monetária americana, uma sombra que nos lembra que, por mais que o Brasil controle a inflação (IPCA a 4,4%), a liquidez global dita o ritmo do jogo.
A força, no entanto, é inegável: reside na capacidade de gigantes como Petrobras sustentarem o índice e na eficiência operacional de empresas como Nubank, que entregam resultados recordes em um ambiente hostil. A mensagem é crítica e inspiradora: o caminho para o sucesso no investimento não é a busca incessante pela próxima Oi (OIBR3) que subirá 20% em um dia, mas sim a construção de uma carteira resiliente, que sabe utilizar a renda fixa de 12,5% da Selic como defesa e se posiciona em ativos de valor que prosperam mesmo quando o Fed hesita. O discernimento é a chave para transformar a volatilidade de novembro em oportunidades de longo prazo.
Recursos e fontes em destaque/Bibliografia
Money Times (MT): Base de dados e tempo real de mercado Ibovespa (14/11/2025).
URL de Referência:
Money Times
Santander: Projeções macroeconômicas de IPCA 2025 e Selic terminal.
Bank of America (BofA): Análise e revisão do preço-alvo da 3tentos (TTEN3).
Federal Reserve (Fed): Declarações de Jeffrey Schmid (Kansas City Fed) sobre a inflação e a política monetária dos EUA.
Ministério da Agricultura: Dados sobre exportação recorde do agronegócio em outubro (US$ 15,49 bilhões).
⚖️ Disclaimer Editorial
Este artigo reflete uma análise crítica e opinativa produzida para o Diário do Carlos Santos, com base em informações públicas, reportagens e dados de fontes consideradas confiáveis. Não representa comunicação oficial, nem posicionamento institucional de quaisquer outras empresas ou entidades eventualmente aqui mencionadas.









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