Janeiro 2026 Fevereiro 2026 Março 2026 Dezembro 2025 Novembro 2025 Outubro 2025 Setembro 2025 Agosto 2025 Julho 2025 Junho 2025 Maio 2025 Abril 2025 Fevereiro 2025 Novembro 2024 Outubro 2024


 

Dólar em Alta: Efeitos da Cotação Flutuante no Dia a Dia e nos Bastidores da Economia Brasileira

 Dólar em Alta: Efeitos da Cotação Flutuante no Dia a Dia e nos Bastidores da Economia Brasileira



Por: Carlos Santos

A cotação do dólar voltou a subir nesta semana, reacendendo um velho debate no Brasil: afinal, qual o real impacto do câmbio flutuante no bolso do brasileiro — e nos rumos da economia?

Desde que o país adotou o regime de câmbio flutuante, em 1999, o valor do dólar passou a responder diretamente às forças do mercado: oferta e demanda. É um modelo que traz liberdade, mas também expõe nossa economia a oscilações muitas vezes bruscas — e, não raramente, injustas para o cidadão comum.


Hoje, com a moeda americana rondando valores elevados, sentimos os reflexos de forma imediata. Combustíveis, alimentos, produtos eletrônicos, medicamentos — tudo que depende de importação ou tem preço atrelado ao mercado externo sobe de preço. A inflação, que já vinha pressionada, ganha fôlego. E, quando a inflação respira, como escrevi recentemente, é o brasileiro que perde o fôlego.

Mas os impactos vão além da gôndola do supermercado. Um dólar em alta coloca o Banco Central contra a parede. Reduzir a Selic para impulsionar a economia? Pode ficar mais difícil se a moeda americana continuar subindo. É que a alta do dólar alimenta expectativas inflacionárias, e o BC sabe que, num cenário assim, a margem de manobra diminui.

Do ponto de vista das exportações, claro, há um alívio. Soja, carne, minério de ferro, petróleo — todos ganham competitividade com um real desvalorizado. É bom para o agronegócio e para as contas externas. Mas essa vantagem vem acompanhada de um dilema estrutural: exportamos mais e acabamos pagando mais caro por produtos aqui dentro. Ou seja, o que entra de dólar por um lado, escapa do poder de compra do brasileiro por outro.

E aí vem o ponto central da minha análise: a política cambial no Brasil é neutra demais para um país que depende tanto dela. O câmbio flutuante, por si só, não é o vilão — mas ele exige um conjunto de políticas fiscais, monetárias e de confiança institucional que o sustentem. Caso contrário, viramos reféns de qualquer rumor global ou instabilidade interna.

Hoje, não falta quem aposte que o dólar ainda pode subir mais se o governo não entregar previsibilidade fiscal. As declarações vindas de Brasília nem sempre ajudam, e o mercado é implacável com o que chama de “ruído político”. Só que esse ruído, no fundo, é o som que ecoa na bomba de gasolina e no feijão com arroz.

Por isso, defendo que precisamos tratar o câmbio como um assunto de interesse coletivo, e não apenas como uma variável técnica para agradar investidores. Um dólar alto demais por tempo demais cobra caro da sociedade — especialmente da mais pobre. E como bem sabemos, é sempre o elo mais fraco que paga a conta dos desequilíbrios econômicos.

O real pode ser flutuante. Mas a responsabilidade com a política econômica precisa ser firme, clara e contínua. Caso contrário, continuaremos boiando em águas agitadas — sem leme, sem direção.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.